Caso Pichadores

As distorções criadas pela seletividade de nosso sistema judiciário não ocorrem apenas em Brasília, mas também em BH, onde o promotor que denunciou um grupo de pichadores é o mesmo que apura os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Se no primeiro caso, há agilidade e excesso na aplicação da lei, no caso da Samarco, a lei veste luvas de pelica, mesmo se tratando do maior crime ambiental da história do país, com 19 mortos.

Há muitas distorções no caso que envolve os pichadores. Um exemplo é o dono da loja de tintas, conhecido como “Goma”, acusado de fornecer “tintas para pichação”. Isso não existe. A tinta para pichar é mesma que serve ao grafite ou pinturas em geral, que pode ser adquirida em qualquer loja do gênero. Além disso, o pichador quase sempre possui um perfil solitário, de modo que a acusação de formação de quadrilha se torna absolutamente inaplicável.

A agressão ao patrimônio público e privado é inaceitável, mas sempre percebi, por parte da justiça, preconceito e desconhecimento, criando o artifício do crime de formação de quadrilha, com o qual não posso concordar.

 

 

Belo Horizonte, 6 de maio de 2016.