Djalma Andrade

Meu Filho

O meu filho, que é doce,que é inocente,
Quando comigo sai, luz que fascina,
Põe seus claros pezinhos, brandamente,
Nas marcas dos meus pés, na areia fina.

Ele segue-me os passos, inconsciente,
Mas uma estranha angústia me domina,
E calcando os meus pés mais firmemente
Meu coração, aos poucos se ilumina.

Sem saber, tu me obrigas, filho amado,
A procurar a rota mais segura,
A ter firmeza em cada passo dado.

Nunca dirás – que horror n’alma me vai!
Que te perdeste numa estrada escura
Por seguires os passos de teu pai!”

Biografia

Djalma Andrade (1891-1975) nasceu em Congonhas/MG. Formado em Direito e nomeado promotor de Justiça em Ouro Preto, não tomou posse para dedicar-se ao jornalismo e as letras. Atuou em quase todos os jornais e revistas em Belo Horizonte. No Estado de Minas assinava a coluna “A História Alegre de Belo Horizonte”. Foi membro da Academia Mineira de Letras e da Academia de Lisboa. Bibliografia: “Versos Escolhidos” (1935), “Poemas de Ontem e de Hoje” (1937). “Sátiras”, “Cartuchos de Festim”, “Poemas Escolhidos” e “Versos Escolhidos e Epigramas” (1945).